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CULTURE / Blagues et pensées

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9.Motivação & Sucesso
Semana de 02 a 08 de setembro de 2001

"Nem Parece o Brasil..."
Luiz Marins

Estamos em plena "Semana da Pátria". O que leremos na maioria dos jornais?
O que assistiremos na televisão? O que ouviremos nas rádios?

Aposto 1.000 contra 10 que a maior parte dos comentários serão do tipo:
"O Brasil, pior do que nunca, comemora sua independência, totalmente
dependente do FMI";
"Brasil: 45 milhões de miseráveis não têm nada a comemorar na Semana da
Pátria";
"Brasil comemora sua independência com corrupção, violência, desemprego,
greves...".

Com certeza ninguém vai dizer que somos o único país do hemisfério sul
dentro do projeto Genoma e que nossos cientistas estão entre os mais
admirados do mundo.

Ninguém vai dizer que o Brasil é o país que tem tido o maior sucesso dentre
todos os países no combate à AIDS e vem sendo exemplo mundial.

Ninguém vai dizer que tivemos neste mês passado o menor índice de
desemprego desde 1997, que temos 15 fábricas de veículos instaladas, mais
quatro se instalando e que somos uns dos maiores mercados do mundo
contemporâneo e que, apesar da crise argentina, as empresas continuam com
suas intenções firmes de investimento.

Ou seja, ninguém mostrará a parte cheia do cálice chamado Brasil.
Vamos só mostrar a parte vazia. Vamos novamente nos auto-flagelar, falar
mal de nós próprios.
Vamos nos chamar a todos de corruptos, ladrões, aproveitadores e
preguiçosos.
Por que somos assim?
A manchete de um dos maiores jornais do Brasil, ao noticiar o menor índice
de desemprego desde 1997 assim escreveu: "Desalento e Descrença faz índice de desemprego baixar" (sic) e no corpo da matéria afirma que as pessoas estão tão desalentadas, desencantadas e desanimadas que "desistiram de buscar emprego...".

Será esse também o motivo para os espanhóis de Madri que têm 21% de
desemprego?
Ora, se isso é verdade, o oposto também deveria ser.
Ou seja, quando o desemprego aumenta é porque as pessoas estão "animadas e esperançosas" e acreditando no Brasil?
Todos os países comemoram suas datas nacionais valorizando os aspectos
positivos da nação, do povo, das pessoas. Por que não nos comparamos com a violência do Oriente Médio? Com os atentados na Irlanda? Com os atentados na Espanha? Com o massacre da Macedônia e dos Albaneses? Com o que está acontecendo desde o Afeganistão ou nos países africanos? Por que não dizemos que temos 97,3% das crianças de 7 a 14 anos freqüentando escolas e só falamos do "baixo nível da educação brasileira"? Por que não propalamos que o Brasil tem 40% dos internautas da América Latina - o dobro do México e que somos o quinto país do mundo em número de telefones fixos instalados e o segundo maior mercado de telefones celulares - 650.000 novos celulares por mês? Por que falamos do "apagão" com certo "prazer" e falamos da revolução da telefonia no Brasil com desdém, acusando as "multinacionais",
etc. Por que não falamos que temos o mais moderno sistema bancário do
mundo? Que nossas eleições - limpas e honestas, tiveram mais de 100 milhões
de votos apurados em 24 horas? (Compare com o "fiasco" da eleição
americana...). Por que não falamos que de meros exportadores de tecidos,
somos hoje considerados uma das capitais mundiais da moda, segundo o Le
Monde francês? Por que não propalamos que somos o país em desenvolvimento com o maior número de empresas com certificação de qualidade pela ISO 9000 com 6.890 empresas certificadas enquanto o México tem apenas 300 empresas e a Argentina 265? Por que não publicamos que a produção industrial caiu no último ano de 2000 - 16% em Cingapura, 12% em Taiwan, 10% na Malásia, 8% no Japão, 5% no México, 3% nos EUA? Que somos o segundo maior mercado de biscoitos, jatos executivos e helicópteros, chocolate, que nosso mercado editorial de livros é maior do que a Itália, com mais de 50.000 títulos novos por ano? Que nossas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios do mundo? Que somos o país mais "empreendedor" do mundo com 16% da população economicamente ativa, na frente dos Estados Unidos? Que a cidade do Rio de Janeiro foi considerada em pesquisa em mais de 50 cidades do mundo a mais "solidária" do mundo? Que mais de 70% dos brasileiros - pobres e ricos - dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários? Que nosso setor agrícola e pecuário vem se desenvolvendo com produtividades crescentes e moderna tecnologia? Por que só falamos das derrotas da seleção de futebol e falamos pouco das vitórias no tênis, no vôlei, no basquete, no iatismo, no hipismo, no automobilismo, etc. Por que não dizemos que somos hoje a terceira maior democracia do mundo? Que apesar de todas as mazelas o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países "civilizados"? Quantos países têm a imprensa livre e investigativa que temos? Segundo a The Economist, (30-6-2001) de zero a dez, o índice de corrupção no Brasil é seis. Isso foiamplamente divulgado. Mas poucos disseram que somos considerados menos corruptos do que o México, Argentina, China, Tailândia, Filipinas, Índia, Rússia, Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento, e à nossa frente quase todos os países são os desenvolvidos europeus, poucos asiáticos e os EUA. Qual o país que já fez o "impeachment" de um presidente e tirou vários senadores da república de seus postos? Que a população indígena brasileira vem crescendo e com terras demarcadas para sua sobrevivência
cultural? Quem contou em 1.500 os cinco milhões de índios que a imprensa diz que matamos desde o descobrimento do Brasil?

Este verdadeiro "vício" de se auto-flagelar, de só falar mal de si próprio, faz o brasileiro ficar literalmente cego para valores essenciais de nossa cultura, de nosso povo, da nação brasileira. Reduzimos tudo a "governo" e como não se pode falar bem de nenhum governo (seja federal, estadual ou municipal) que se é logo rotulado de "bajulador" e "alienado" ficamos com essa sensação horrível de que somos o povo mais infeliz do universo. Pode ver: quando uma coisa é bem feita, é bonita, é limpa, dizemos - "Nem parece o Brasil!" e quando uma coisa é horrível, de baixa qualidade, suja, desonesta, dizemos: "Isto é o Brasil!". Até quando???

É claro que temos problemas - e muitos. E graves! Mas temos também valores
que precisamos comemorar e aprender a enxergar.

Nesta semana, pense nisso. Comemore a parte cheia do cálice chamado Brasil.

Acredite. Você pode se orgulhar de ser brasileiro! Você tem esse direito!

Boa Semana. Sucesso!





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