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CULTURE
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7.Subject:
Amazônia
Sobre a Internacionalizacão da Amazônia
Durante
debate recente em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador
do Distrito Federal, Cristovam Buarque do PT, foi questionado sobre
o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a
resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo
Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica
humanista como o ponto de partida para a sua resposta: " De
fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização
da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham
o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental
que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização,
como também de tudo o mais que tem importância para
a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista,
deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as
reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo
é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto
a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das
reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou
não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro
dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia
é uma reserva para todos os seres humanos, ela não
pode ser queimada pela vontade de um dono, ou ser de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego
provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores
globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam
para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização
de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer
apenas a França. Cada museu do mundo é guardião
das mais belas peças produzidas pelo gênio humano.
Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o
patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído
pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não
faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar
com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro
deveria ter sido internacionalizado. Durante este
encontro, as Nações Unidas estão realizando
o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países
tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira
dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações
Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria
pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres,
Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza
específica, sua história do mundo, deveria pertencer
ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco
de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos
todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já
demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando
uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis
queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos a presidência dos EUA
tem defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais
do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança
do mundo tenha possibilidade de ir a escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas,
não importando o país onde nasceram, como patrimônio
que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a
Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças
pobres do mundo como patrimônio da Humanidade, eles não
deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que
morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a
internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo
me
tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa.
Só
nossa."
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